O anúncio que não manda mais para um site: o teste da OpenAI que pode mudar o ChatGPT

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A publicidade digital pode estar perto de trocar seu destino mais conhecido: a landing page. Coberturas recentes indicam que a OpenAI parece testar no ChatGPT anúncios que levam o usuário a um agente de negócio. Em vez de clicar, sair da conversa e preencher um formulário, a pessoa poderia continuar a jornada no próprio chat.

Ainda não há anúncio oficial de lançamento amplo. O ponto importante é justamente esse: os sinais vistos por veículos do setor descrevem um teste limitado. Mesmo assim, a ideia revela para onde a disputa pela conversão pode caminhar quando a busca vira conversa.

O que apareceu no suposto Ads Manager

O Search Engine Land reportou que a OpenAI aparenta desenvolver anúncios nativos de chatbot. A proposta não seria mandar o interessado para uma página tradicional. O anúncio abriria uma interação com um agente preparado para representar o negócio.

O Search Engine Roundtable detalhou um tipo de campanha chamado “Agent” dentro do ChatGPT Ads Manager. A opção foi vista por Juozas Kaziukėnas e, segundo a cobertura, estaria disponível apenas para anunciantes selecionados. Portanto, não dá para tratar o recurso como produto público ou consolidado.

A diferença parece pequena só à primeira vista. Um anúncio comum costuma disputar o clique e entregar a próxima etapa ao site. Um anúncio que inicia uma conversa passa a disputar a decisão inteira: descoberta, dúvida, comparação, recomendação e possível encaminhamento para uma ação.

Como esse agente poderia ser montado

O fluxo descrito começa pelo site da empresa. A OpenAI aparentemente poderia rastrear esse material para formar um perfil do negócio e identificar informações recorrentes, perguntas comuns e contexto de suporte.

Depois, o anunciante configuraria um business agent com instruções e dados próprios. A campanha apontaria para a conversa com esse agente, não somente para uma URL. Na prática, a empresa deixaria de comprar apenas visitas e passaria a montar um ponto de atendimento dentro de uma interface que o usuário já escolheu para pesquisar.

Coberturas secundárias também mencionam product feeds e ferramentas via MCP. Isso poderia permitir respostas baseadas em catálogo, recomendações de produtos, qualificação de leads ou agendamentos. São possibilidades reportadas no contexto do teste, não promessas confirmadas pela OpenAI.

A consequência é clara: o criativo deixa de ser a peça final do anúncio. Ele passa a ser a porta de entrada para uma experiência que precisa responder bem. Se o agente não entende estoque, preço, prazo, política comercial ou a dúvida básica do cliente, a conversa pode perder a venda antes de qualquer visita ao site.

A landing page perde importância? Não exatamente

É cedo para decretar o fim da landing page. Sites continuam essenciais para marca, conteúdo aprofundado, checkout, documentação, SEO e coleta de sinais próprios. Mas o teste sugere uma mudança de prioridade: a página pode deixar de ser o primeiro lugar onde a persuasão acontece.

Isso conversa com uma preocupação que já existe na busca com IA. Quando respostas são resolvidas dentro da plataforma, há menos cliques para páginas externas. No Runzos, já analisamos como a pesquisa por IA pode alterar o padrão de tráfego dos sites em nosso guia sobre Google AI Search e tráfego.

Para publishers e afiliados, o risco estratégico é maior do que uma simples queda de CTR. Se a recomendação, a comparação e a próxima ação acontecerem no chat, o conteúdo que antes capturava a intenção pode perder parte de seu papel na jornada. O desafio passa a ser continuar sendo fonte, referência e destino confiável quando o intermediário conversa em nome da audiência.

O que muda para empresas brasileiras

Para SaaS, e-commerce e afiliados no Brasil, a leitura útil não é correr para criar um “agente de vendas” sem processo. É arrumar a base que um agente usaria. Catálogo desorganizado, descrições vagas, políticas escondidas e suporte inconsistente tendem a aparecer na resposta dada ao cliente.

Uma loja virtual precisa saber se o feed de produtos está correto. Um SaaS precisa manter casos de uso, limites e integrações explicados. Um afiliado precisa reforçar prova, contexto e diferenciais reais, porque a conversa pode reduzir espaço para páginas genéricas feitas apenas para capturar pesquisa.

A mensuração também muda. Não bastará acompanhar impressões, cliques e conversões finais. Será preciso observar quais perguntas surgem, onde a conversa abandona, qual recomendação ajuda e quais dados impedem uma resposta segura. É uma lógica mais próxima de atendimento e produto do que de mídia de performance tradicional.

O sinal que vale acompanhar

O teste ainda parece restrito e pode mudar antes de chegar a mais anunciantes. A OpenAI não confirmou publicamente todos os detalhes relatados. Por isso, empresas brasileiras não devem basear orçamento ou estratégia em uma funcionalidade que ainda não está aberta ao mercado.

Mas ignorar o sinal seria um erro. Se anúncios dentro do ChatGPT realmente evoluírem para agentes, o diferencial não será só pagar pelo espaço. Será ter informação confiável, produtos bem estruturados, atendimento preparado e uma oferta que resiste a perguntas.

A próxima guerra de anúncios pode não ser vencida pela landing page mais chamativa. Pode ser vencida pela empresa que consegue sustentar a melhor conversa quando o cliente decide perguntar antes de clicar.

Foto de Maicon Ramos

Maicon Ramos

Infoprodutor e especialista em automações de Marketing, fundador do Automação sem Limites, uma comunidade para ajudar empreendedores e startup.